quinta-feira, 29 de maio de 2008

A Praça

Um casal posa maquinalmente fotográfico neste clichê de coqueiro e flores. A praça nunca esteve tão bonita.
Logo uma noiva vai posar, sem graça, suas futuras memórias sugeridas por um fotógrafo que a desconhece. Ao fundo, um relance de bicicleta esquecida no cenário e algumas caras que a noiva desconhece. A praça nunca esteve tão aflita de ser algo além da grama.

Laís de Oliveira

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Fossa

dor de garganta
fome
esse meu ar
de aborrecimento
a dor sem nome
arde feito cachaça
desce insone
nas noites sem motivo
amor se come
de gula - engole , traça -
feito doce.
e se enfastia
como quem não possa.
má-digestão?
música triste, passa...

bebo Jacques Brel feito digestivo
com goles dolorosos
de cachaça.

Laís de Oliveira

"I took my love down to Violet Hill"

sábado, 17 de maio de 2008

Inércia

Poderia repetir as palavras de Cê e dizer que a metrópole anda impedindo meus escritos aqui - o que não deixaria de ser uma verdade - mas não poderia deixar por isso só. Vontade de escrever até tenho tido, mas tudo me parece tão velho e gasto que não acho que vale a pena colacá-las (palavras) aqui. As coisas tem dado certo, o caos aos pouco foi se esvaindo e eu até sinto uma paz que há muito tempo não sentia. O que não muda sou eu. E qualquer coisa que eu escrevesse aqui, por mais que fosse algo novo pra mim, ainda teria aquele cheiro de livro velho, folhas amareladas e milhares de digitais.


As marcas que ficaram não são apenas marcas, se tornaram parte de mim, e nem cirurgia plástica resolve.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Lua

Pendurei-me na janela
e guardei a lua só pra mim
como um segredo
e mostrei-a murmurando
em seu ouvido
teu segredo
por ser tão somente meu.
E só eu olhei teus olhos
quando ninguém
- e nem eu -
os via.

Uberlândia, 2007

Laís de Oliveira