quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Para esquecer de esquecer.

Eu não conseguia me mexer. Estava lá, há cerca de uma hora, olhando fixamente pela janela do 13 andar do prédio da graduação. Precisava me mudar, então gastava meu tempo olhando os prédios à minha volta e pensando se algum deles me faria sentir bem, em casa. Depois comecei a prestar atenção nos ônibus que passavam na avenida. É impressionante o poder de visão que minha lente de quase 6 graus me oferece. Também, puderas. Qualquer coisa, menos aula. Aquela mulher me irritava profundamente. Sabe aquele tipo bem feminista que se recusa a usar sutiã, salto ou se depilar? Abomino. Entretanto, meus problemas estariam reduzidos a quase nada se a aula dela fosse interessante. Enfim, a cada prédio que eu observava, a cada ônibus que passava, era mais uma pequena parte da promessa que eu havia feito a mim mesma sendo desfeita. Queria prestar mais atenção às aulas, ser melhor aluna e parar com essa mania de beber dois litros de café e estudar de madrugada um dia antes da prova. Mas desde minha volta eu ando vivido em um estado de dormência que eu apenas desperto quando algo de realmente ruim acontece. A saída repentina do meu apartamento foi uma delas.
Eu não realizara o quanto eu gostava daqui até pensar em sair. 30 dias, o prazo. Não sou de me apegar a lugares, casas, mesmo porque meus pais nunca tiveram moradia fixa, desde criança já devo ter me mudado umas 12 vezes. Mas o dia seguinte da notícia me mostrou algo diferente sobre esse lugar. Acordei, olhei pro ventilador do teto e pensei o quanto eu iria sentir falta de acordar e olhar para ele. Bizarro, principalmente se levar em conta que eu nunca o liguei. Não consigo lidar com qualquer objeto que faça barulho em intervalos fixos, eu fico louca – sabe aqueles relógios de 1,99 que fazem tic tac? Todo lugar que eu vou e tem um desses as pilhas somem misteriosamente. Bem, talvez esse sentimento seja explicado porque aqui foi, de fato, a minha casa desde mudei pra Bh. Não é a primeira, mas é a única que me fez sentir como se eu pertencesse aqui. Além do mais, nada como morar com gente normal, ou quase. (ahh, pro inferno com a hipocrisia, de perto, ninguém é normal.)
Mas o susto passa e a dormência volta. Meus dias têm sido tão ociosos que sinto falta até do desespero da semana de provas finais, quando ficar acordada ao menos fazia algum sentido. Ando assim, a passos tortos e sem rumo, um rosto sem expressão, uma boca sempre calada.
Quem sabe passa, quem sabe...


















(Texto antigo, achei por acaso enquanto jogava coisas inúteis na lixeira. Este foi quase. É apenas pra lembrar daqui, de como gosto..)


Ah, só pra constar, tirando os alarmes de carro e o ônibus verde com o número 33, tudo está no caminho certo agora.
=)