Seus olhos ‘inda se sossegam, claros
Nos meus, no entanto eu não os tivesse quisto
Lembrar e os escrevi pra esquecer, visto
que a poesia é, do esquecer, o amparo.
E eu quis tranqüilizar-me n’alguns raros
Versos para esquecer-te, no que insisto,
No que não há sucesso , no imprevisto
Desejo meu por seus olhos, avaro.
Que eu me sossegaria se os meus versos
Bastassem pra escrever isto que os cria,
Que me corta, rasga, me beija, existe
Em desnorteio, em meus olhos dispersos
Na minha abstinência de poesia
Pra te lembrar mais puro e eu, mais triste.
Laís de Oliveira
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Para esquecer de esquecer.
Eu não conseguia me mexer. Estava lá, há cerca de uma hora, olhando fixamente pela janela do 13 andar do prédio da graduação. Precisava me mudar, então gastava meu tempo olhando os prédios à minha volta e pensando se algum deles me faria sentir bem, em casa. Depois comecei a prestar atenção nos ônibus que passavam na avenida. É impressionante o poder de visão que minha lente de quase 6 graus me oferece. Também, puderas. Qualquer coisa, menos aula. Aquela mulher me irritava profundamente. Sabe aquele tipo bem feminista que se recusa a usar sutiã, salto ou se depilar? Abomino. Entretanto, meus problemas estariam reduzidos a quase nada se a aula dela fosse interessante. Enfim, a cada prédio que eu observava, a cada ônibus que passava, era mais uma pequena parte da promessa que eu havia feito a mim mesma sendo desfeita. Queria prestar mais atenção às aulas, ser melhor aluna e parar com essa mania de beber dois litros de café e estudar de madrugada um dia antes da prova. Mas desde minha volta eu ando vivido em um estado de dormência que eu apenas desperto quando algo de realmente ruim acontece. A saída repentina do meu apartamento foi uma delas.
Eu não realizara o quanto eu gostava daqui até pensar em sair. 30 dias, o prazo. Não sou de me apegar a lugares, casas, mesmo porque meus pais nunca tiveram moradia fixa, desde criança já devo ter me mudado umas 12 vezes. Mas o dia seguinte da notícia me mostrou algo diferente sobre esse lugar. Acordei, olhei pro ventilador do teto e pensei o quanto eu iria sentir falta de acordar e olhar para ele. Bizarro, principalmente se levar em conta que eu nunca o liguei. Não consigo lidar com qualquer objeto que faça barulho em intervalos fixos, eu fico louca – sabe aqueles relógios de 1,99 que fazem tic tac? Todo lugar que eu vou e tem um desses as pilhas somem misteriosamente. Bem, talvez esse sentimento seja explicado porque aqui foi, de fato, a minha casa desde mudei pra Bh. Não é a primeira, mas é a única que me fez sentir como se eu pertencesse aqui. Além do mais, nada como morar com gente normal, ou quase. (ahh, pro inferno com a hipocrisia, de perto, ninguém é normal.)
Mas o susto passa e a dormência volta. Meus dias têm sido tão ociosos que sinto falta até do desespero da semana de provas finais, quando ficar acordada ao menos fazia algum sentido. Ando assim, a passos tortos e sem rumo, um rosto sem expressão, uma boca sempre calada.
Quem sabe passa, quem sabe...
(Texto antigo, achei por acaso enquanto jogava coisas inúteis na lixeira. Este foi quase. É apenas pra lembrar daqui, de como gosto..)
Ah, só pra constar, tirando os alarmes de carro e o ônibus verde com o número 33, tudo está no caminho certo agora.
=)
Eu não realizara o quanto eu gostava daqui até pensar em sair. 30 dias, o prazo. Não sou de me apegar a lugares, casas, mesmo porque meus pais nunca tiveram moradia fixa, desde criança já devo ter me mudado umas 12 vezes. Mas o dia seguinte da notícia me mostrou algo diferente sobre esse lugar. Acordei, olhei pro ventilador do teto e pensei o quanto eu iria sentir falta de acordar e olhar para ele. Bizarro, principalmente se levar em conta que eu nunca o liguei. Não consigo lidar com qualquer objeto que faça barulho em intervalos fixos, eu fico louca – sabe aqueles relógios de 1,99 que fazem tic tac? Todo lugar que eu vou e tem um desses as pilhas somem misteriosamente. Bem, talvez esse sentimento seja explicado porque aqui foi, de fato, a minha casa desde mudei pra Bh. Não é a primeira, mas é a única que me fez sentir como se eu pertencesse aqui. Além do mais, nada como morar com gente normal, ou quase. (ahh, pro inferno com a hipocrisia, de perto, ninguém é normal.)
Mas o susto passa e a dormência volta. Meus dias têm sido tão ociosos que sinto falta até do desespero da semana de provas finais, quando ficar acordada ao menos fazia algum sentido. Ando assim, a passos tortos e sem rumo, um rosto sem expressão, uma boca sempre calada.
Quem sabe passa, quem sabe...
(Texto antigo, achei por acaso enquanto jogava coisas inúteis na lixeira. Este foi quase. É apenas pra lembrar daqui, de como gosto..)
Ah, só pra constar, tirando os alarmes de carro e o ônibus verde com o número 33, tudo está no caminho certo agora.
=)
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Psicodelias
"Hike up your skirt a little more
And show the world to me"
Volta agosto e minha vida é como se fechasse em um retrospecto, num dejá vu latente e interminável que me constrangesse a receber o presente como uma memória de passado.
Do sonho da casa das bonecas de bochechas envernizadas e do banheiro dourado: a rua
Certa vez, sonhei com uma rua pequena e velha vista de um dos lados da calçada, do lado de onde havia uma casa cuja entrada era um misto da casa de minha avó em Lavras com uma casa suntuosa, como um castelo, com uma torre vertical e cômodos que eu desconhecia. Na subida da escada em espiral, de metal negro belamente detalhado, havia um piso superior que dava tão só num banheiro pequeno e dourado, mui digno de um rei, ou antes, de sua esposa, uma princesa descrita na delicadeza rósea e áurea das paredes e privada. Na casa de tantos cômodos havia moças belas como princesas e artificiais como marionetes de verniz, de um lustrado avermelhado nas bochechas, tão plástico que pareciam esculpidas, pinceladas em madeira, e que de tão falsas eram estranhamente belas, dos cílios postiços longos e muito pretos sobre olhos intensamente azuis como vidro, aos narizes esculpidamente finos e os lábios muito vermelhos e bochechas brilhantes de rubras (rubras, porque o vermelho não as alcançaria). Na cabeça, um adornado longo e ondulado de ouro ou de carvão muito intenso. No sonho eu não sabia se eram bonecas ou moças que tanto se agravaram na sua beleza que se envernizaram, todas, e se esqueceram de algo mais, além do nome, das vontades e delírios. Eu sei que não me compreendia, se atordoada, se estonteada com a beleza frágil das bonecas, com suas beldades enfurnadas pelos cômodos da casa. Não sabia se admiração ou medo, mas era como sentir-me humana, de pele flácida e inquebrável, e de rosto pálido, como sem tinta. Me sentia, antes de tudo, natural e era como se estivesse ali de visita, chegada de viagem, mas como se alguém me quisesse presa como elas para a vida, talvez o rei do qual o banheiro era digno, e talvez eu me lembre também de seu rosto de marionete adocicada, das bochechas de maçã caramelizada. O tempo que passei naquela casa eu nunca soube, mas algo me prendia como vício, comiseração ou encanto pelo senhor que mantinha as senhoras róseas e douradas, porque eu estivesse lá por um motivo mais e único, que se comprovava pelo fato de eu não ter as bochechas róseas, mas dúvidas. Não sei por que nem por quanto fiquei, até que me senti um dia com os cílios longos e os cabelos volumosamente brilhosos, íntima da escada em espiral que levava ao banheiro superior e acomodada pela proposta do senhor das bochechas róseas. Lembro num desfecho de ver novamente a rua (e no meio tempo entre as princesas e então parecia não ser a primeira vez que eu me colocava entre a rua e a escada do banheiro) e de me despedir daquele senhor sem tristeza, nem cabelos longos ou bochecha rósea, mas com uma nostalgia como por um amor que se sabia inexistente, mas se sentisse. Lembro de pessoas que vieram me esperar como se eu voltasse de um cárcere... e não me lembro de muito mais (mas que deixei outra donzela mais condizente que eu na calçada com aquele rei sem nobreza, feito plebeu ou boneco de cera pelos tempos modernos. Lembro de nostalgia.
Na verdade eu nunca compreendi ou o quis, este sonho, nem entanto me preocupei, e no entanto agora ele me vem com uma aura nostálgica de presságio antigo, como tivesse um lado premonitório desde aquela época. Mas nem o lembro quando sonhei ou o porquê das figuras engraçadas, medievalizadas e românticas, em marionetes envernizadas. A verdade é que nem hoje o compreendo, necessariamente, mas é como se ele fizesse parte da seqüencia de dejá vus que tem me perseguido. Haja significado, haja sentido ou não, certo que vai para uns cinco anos atrás que o sonhei. O que há de presságio é a semelhança de algo que sinto agora e que senti neste sonho, que me fez reconhecê-lo novamente e descrevê-lo na esperança de que me dissesse algo...um sentimento de nostalgia que me faz sentir uma dor de ter abandonado algo que nunca me seria dado e não sei quando o tive em mãos, numa posse fugaz por mera diversão do tempo em saber que o meu futuro o abandonaria, mas no entanto o tive que conhecer para me responsabilizar, sozinha, por abandoná-lo.
Por teimosia, se não houver sentido, eu culpo as circunstâncias.
Sobretudo, não é amor, mas nostalgia.
Laís de Oliveira
sexta-feira, 27 de junho de 2008
Mês
Saudade de te ter sem te sentir, sem ter sentido, sem saber. Saudade de te ser sem ser lembrada, de saber te ter comigo sem chorar, sem ter sentido. Saudade de te saber antes de tê-lo sentido. Saudade de você como era quando eu me esqueci do rosto dos seus amigos. Quando eu te sabia pouco e só.
Quando eu te conhecia mais que a noite, mais que o álcool, mais que você mesmo.
Vontade de que eu fosse sempre isso e nunca mais pernas abertas sob a almofada para receber o laptop numa madrugada fria.
Antes você estivesse aqui e eu não mais escrevesse.
Saudade te começar comigo.
Laís
(texto das QUINTAS FEIRAS, atrasado)
Quando eu te conhecia mais que a noite, mais que o álcool, mais que você mesmo.
Vontade de que eu fosse sempre isso e nunca mais pernas abertas sob a almofada para receber o laptop numa madrugada fria.
Antes você estivesse aqui e eu não mais escrevesse.
Saudade te começar comigo.
Laís
(texto das QUINTAS FEIRAS, atrasado)
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Só queria que você soubesse...
Sempre que via as pessoas juntas, se amando, eu pensava que um dia ele ia chegar. Não um príncipe montado num cavalo branco, mas alguém especial que quisesse me doar todo o seu amor e recebê-lo de mim, desta vez, sem reservas.
E onde estará ele? Se puder me ouvir agora... Que chegue logo! Tenho medo de que ele já tenha chegado e eu, com todo o meu orgulho e timidez não o tenha notado ou esteja desprezando-o não por ser impenetrável, mas por não conseguir me aproximar.
Sei que preciso mudar isso em mim, essa paralisia injustificada, mas infelizmente é isso que acontece com os poucos homens que me tiram o controle da situação e, depois de um tempo, de mim mesma.
Não consigo mais prever todos os comportamentos, sinto que nesse momento estou envolvida, de corpo e principalmente de alma, em uma situação, quiçá relacionamento, que não tem começo, não tem meio e não sei se um dia terá fim, já que isso nunca começa para valer.
E sei que perder o controle me desestrutura inteira, me deixa numa tontura irresgatável, um mergulho que prefiro me afogar a ter que voltar à superfície e enfrentar uma situação de desconforto e, pior, descontrole.
Existe alguém... Mas não o conheço por completo, não sei por onde ele anda, o que pensa de mim, o que almeja e o que sente. Não sei nada. E daria muito para descobrir tudo isso e me aproximar dele, mas parece que ele também fica paralisado, ou talvez não se importe comigo.
Um dia, quando nos encontramos e disse estar exausta, ele sugeriu: “Escreva!”
E aqui estou eu... Tentando colocar em palavras o que não sei estar sentindo. Tentando transpor uma confusão de sentimentos que se entrelaçam e voltam a se desfazer, que se encaixam e se desencontram quase que ao mesmo tempo.Você é confuso, é complexo é do jeito que eu gosto... Se tivesse coragem conversaria com você, te pararia no meio da rua e diria tudo que está passando pela minha cabeça, te seguraria pelos braços e faria você desvendar todos os mistérios que aparentemente esconde e, principalmente, faria você me dizer o que realmente pensa e sente por mim. Juro, eu agüento se disser que não sente nada, se disser que não quer se envolver. Eu agüento! Pior, é não saber... Pior é deduzir sem certezas, acreditar sem ver concretamente. Nunca fui boa em abstrações, tampouco em subjetivismos. Só queria que você soubesse, talvez isso facilitasse um pouco as coisas...
E onde estará ele? Se puder me ouvir agora... Que chegue logo! Tenho medo de que ele já tenha chegado e eu, com todo o meu orgulho e timidez não o tenha notado ou esteja desprezando-o não por ser impenetrável, mas por não conseguir me aproximar.
Sei que preciso mudar isso em mim, essa paralisia injustificada, mas infelizmente é isso que acontece com os poucos homens que me tiram o controle da situação e, depois de um tempo, de mim mesma.
Não consigo mais prever todos os comportamentos, sinto que nesse momento estou envolvida, de corpo e principalmente de alma, em uma situação, quiçá relacionamento, que não tem começo, não tem meio e não sei se um dia terá fim, já que isso nunca começa para valer.
E sei que perder o controle me desestrutura inteira, me deixa numa tontura irresgatável, um mergulho que prefiro me afogar a ter que voltar à superfície e enfrentar uma situação de desconforto e, pior, descontrole.
Existe alguém... Mas não o conheço por completo, não sei por onde ele anda, o que pensa de mim, o que almeja e o que sente. Não sei nada. E daria muito para descobrir tudo isso e me aproximar dele, mas parece que ele também fica paralisado, ou talvez não se importe comigo.
Um dia, quando nos encontramos e disse estar exausta, ele sugeriu: “Escreva!”
E aqui estou eu... Tentando colocar em palavras o que não sei estar sentindo. Tentando transpor uma confusão de sentimentos que se entrelaçam e voltam a se desfazer, que se encaixam e se desencontram quase que ao mesmo tempo.Você é confuso, é complexo é do jeito que eu gosto... Se tivesse coragem conversaria com você, te pararia no meio da rua e diria tudo que está passando pela minha cabeça, te seguraria pelos braços e faria você desvendar todos os mistérios que aparentemente esconde e, principalmente, faria você me dizer o que realmente pensa e sente por mim. Juro, eu agüento se disser que não sente nada, se disser que não quer se envolver. Eu agüento! Pior, é não saber... Pior é deduzir sem certezas, acreditar sem ver concretamente. Nunca fui boa em abstrações, tampouco em subjetivismos. Só queria que você soubesse, talvez isso facilitasse um pouco as coisas...
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Sem título
Eu gosto de você
qual escrevesse
um verso entre o susto e o riso
como
não esperasse despertar
com sono
a música favorita na rádio.
Eu gosto de você
como encontrasse
num livro velho, um bilhete antigo
como matasse saudade
qual fosse
fazer as compras do mês
e voltasse
com flores entre o arroz e o limpa-vidros
Eu gosto
qual bagunçasse os cabelos
de estrada,
do vento de mato e asfalto
Gosto
como me esquecesse das horas
pela conversa
em tardes sem sentido
Gosto qual visse, fosse, ouvisse, errasse
como tolice, doce, abraço, almoço,
Viagem.
Gosto como se amasse.
Eu gosto de você,
no entrelaço
dos nossos dedos.
Gosto
a música favorita na rádio.
Eu gosto de você
como encontrasse
num livro velho, um bilhete antigo
como matasse saudade
qual fosse
fazer as compras do mês
e voltasse
com flores entre o arroz e o limpa-vidros
Eu gosto
qual bagunçasse os cabelos
de estrada,
do vento de mato e asfalto
Gosto
como me esquecesse das horas
pela conversa
em tardes sem sentido
Gosto qual visse, fosse, ouvisse, errasse
como tolice, doce, abraço, almoço,
Viagem.
Gosto como se amasse.
Eu gosto de você,
no entrelaço
dos nossos dedos.
Gosto
do que quer que fosse
que envolvesse ter você comigo.
Laís de Oliveira
"Well the stars up in the sky and the leaves in the tree
que envolvesse ter você comigo.
Laís de Oliveira
"Well the stars up in the sky and the leaves in the tree
All the broken bits that make you trip up and the grassy bits inbetween"
Birds, Kate Nash.
quinta-feira, 29 de maio de 2008
A Praça
Um casal posa maquinalmente fotográfico neste clichê de coqueiro e flores. A praça nunca esteve tão bonita.
Logo uma noiva vai posar, sem graça, suas futuras memórias sugeridas por um fotógrafo que a desconhece. Ao fundo, um relance de bicicleta esquecida no cenário e algumas caras que a noiva desconhece. A praça nunca esteve tão aflita de ser algo além da grama.
Laís de Oliveira
Logo uma noiva vai posar, sem graça, suas futuras memórias sugeridas por um fotógrafo que a desconhece. Ao fundo, um relance de bicicleta esquecida no cenário e algumas caras que a noiva desconhece. A praça nunca esteve tão aflita de ser algo além da grama.
Laís de Oliveira
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Fossa
dor de garganta
fome
esse meu ar
de aborrecimento
a dor sem nome
arde feito cachaça
desce insone
nas noites sem motivo
amor se come
de gula - engole , traça -
feito doce.
e se enfastia
como quem não possa.
má-digestão?
música triste, passa...
bebo Jacques Brel feito digestivo
com goles dolorosos
de cachaça.
Laís de Oliveira
fome
esse meu ar
de aborrecimento
a dor sem nome
arde feito cachaça
desce insone
nas noites sem motivo
amor se come
de gula - engole , traça -
feito doce.
e se enfastia
como quem não possa.
má-digestão?
música triste, passa...
bebo Jacques Brel feito digestivo
com goles dolorosos
de cachaça.
Laís de Oliveira
"I took my love down to Violet Hill"
sábado, 17 de maio de 2008
Inércia
Poderia repetir as palavras de Cê e dizer que a metrópole anda impedindo meus escritos aqui - o que não deixaria de ser uma verdade - mas não poderia deixar por isso só. Vontade de escrever até tenho tido, mas tudo me parece tão velho e gasto que não acho que vale a pena colacá-las (palavras) aqui. As coisas tem dado certo, o caos aos pouco foi se esvaindo e eu até sinto uma paz que há muito tempo não sentia. O que não muda sou eu. E qualquer coisa que eu escrevesse aqui, por mais que fosse algo novo pra mim, ainda teria aquele cheiro de livro velho, folhas amareladas e milhares de digitais.
As marcas que ficaram não são apenas marcas, se tornaram parte de mim, e nem cirurgia plástica resolve.
As marcas que ficaram não são apenas marcas, se tornaram parte de mim, e nem cirurgia plástica resolve.
quinta-feira, 1 de maio de 2008
Lua
Pendurei-me na janela
e guardei a lua só pra mim
como um segredo
e mostrei-a murmurando
em seu ouvido
teu segredo
por ser tão somente meu.
E só eu olhei teus olhos
quando ninguém
- e nem eu -
os via.
Uberlândia, 2007
Laís de Oliveira
sábado, 26 de abril de 2008
Palavras.
Há quanto tempo não as escrevo aqui. E há muito tempo não me eram tão poderosas.
Poderia ter mudado toda minha semana com uma frase, melhor, retirando uma frase. Digo isso pra não parecer exagerado, já que na verdade eu poderia ter mudado toda uma vida. E não só a minha.
Foi assustador.
Três palavras mudaram o rumo de quatro pessoas e ecoaram em minha cabeça durante 7 dias. Poderia tê-las abafado, pensei. Entretato, arrpendimento não é algo costumeiro pra mim, mesmo porque eu não posso me arrepender do que sou, já que hora nenhuma conseguiria ter feito diferente. Principalmente quando o diferente é errado.
Cinco minutos me fizeram passar quarenta e duas horas acordada. Duas ligações resolveram minha vida.
E o que mais move meu destino senão números e palavras?
Quem me dera você tivesse ouvidos.
Poderia ter mudado toda minha semana com uma frase, melhor, retirando uma frase. Digo isso pra não parecer exagerado, já que na verdade eu poderia ter mudado toda uma vida. E não só a minha.
Foi assustador.
Três palavras mudaram o rumo de quatro pessoas e ecoaram em minha cabeça durante 7 dias. Poderia tê-las abafado, pensei. Entretato, arrpendimento não é algo costumeiro pra mim, mesmo porque eu não posso me arrepender do que sou, já que hora nenhuma conseguiria ter feito diferente. Principalmente quando o diferente é errado.
Cinco minutos me fizeram passar quarenta e duas horas acordada. Duas ligações resolveram minha vida.
E o que mais move meu destino senão números e palavras?
Quem me dera você tivesse ouvidos.
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Vaguice
Há coisas que me atrasam a vida irreversivelmente. O suor de dormir à tarde com o sol ardendo atrás dos panos da cortina, ou o de não ter sono quando a noite encarna o dia.
Me ocorre que eu nasci para o pequeno, para achar no rotineiro o traço involuntário de cada dia, o que há de mais desencontrado no que se espera das ruas, gentes e calçadas.
Parece que o que faço bem é adivinhar poesia quando a rua, sem querer, deixa entrever um qualquer que passa e ri sozinho. O pouco me alegra mais do que saber de todos os anseios dos homens de todos os tempos, de todos os códigos que engendraram o que, hoje, fazemos. Gosto de pôr os dedos no que somos e olhar para o que vemos quando a tarde é de sorvete, ou de preguiça.
Contudo, eu perco o hábito de competência e as chances de mercado. Oxalá meu currículo incluísse o como lido bem com o passar da tarde e a montagem do que será a noite: focos amarelados pelas ruas, mesa no passeio, gente sem mais que braços, olhos, dedos.
No entanto eu sei que o pequeno me assusta na extensão deste infinito ao contrário. Tanta grandeza de detalhes que eu temo querer enumerá-los em prosa, fichas, tópicos ou tese.
Quem dera eu não olhasse pro relógio e rabiscasse esse registro tenso por render um pouco.
Laís de Oliveira
Me ocorre que eu nasci para o pequeno, para achar no rotineiro o traço involuntário de cada dia, o que há de mais desencontrado no que se espera das ruas, gentes e calçadas.
Parece que o que faço bem é adivinhar poesia quando a rua, sem querer, deixa entrever um qualquer que passa e ri sozinho. O pouco me alegra mais do que saber de todos os anseios dos homens de todos os tempos, de todos os códigos que engendraram o que, hoje, fazemos. Gosto de pôr os dedos no que somos e olhar para o que vemos quando a tarde é de sorvete, ou de preguiça.
Contudo, eu perco o hábito de competência e as chances de mercado. Oxalá meu currículo incluísse o como lido bem com o passar da tarde e a montagem do que será a noite: focos amarelados pelas ruas, mesa no passeio, gente sem mais que braços, olhos, dedos.
No entanto eu sei que o pequeno me assusta na extensão deste infinito ao contrário. Tanta grandeza de detalhes que eu temo querer enumerá-los em prosa, fichas, tópicos ou tese.
Quem dera eu não olhasse pro relógio e rabiscasse esse registro tenso por render um pouco.
Laís de Oliveira
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Em contraste
Acabou a luz no meu quarto e eu escrevo contrastante, neste laptop à luz de velas.
Não quero me demorar nestas linhas, que ando mais pra leitura nestes dias e não pretendo cometer um plágio sem querer, nem ao menos soar mais contrastante a algum leitor - na releitura do que eu reescrevo, de ler outra leitora - do que este laptop às velas.
Do meu gato Noir, só vejo os olhos. O resto é amarelo, branco e preto, de contraste.
Te doaria um sonho de Bonfim e algumas noites de cinema e bruma de cidade histórica, para encontrar você no tempo em que eu não era seu passado.
Laís de Oliveira
"
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Deste outubro
Ele traria as flores de outubro que ela escrevera, há tempos.
O céu de abril, raleado de nuvens afiladas com seu azul fraco, relembraria outubro em chão e flores, de poeira e ornamentos.
Quiçá ele devesse relembrar setembro se evaporando de agosto, que outubro foi, por fim, um mês vazio de constâncias, foi preparo de um novembro que não teve, ou que teve e passou saudoso de ainda ser outubro. Novembro foi, por fim, enevoado em suas dores e eu me perdi em folhas, como o mês em suas nuvens.
Dezembro, eu já me esquecia de outubro. Janeiro, eu já nem era.
Em fevereiro eu confirmei a idade que eu já tinha e, pelo menos, deu saudade de outros sonhos. Foi choro e precisado, quando de abandonar os planos para ver estas montanhas outra vez. E desde então, não tenho tido casa.
Março foi sem quase ser notado. Parece que me apaixonei às noites, pela chuva amarelada com as luzes. Sei que março teve fim já em abril, que sumiu com seu início.
Agora volta outubro, com as cores que deixei há vários meses.
Laís de Oliveira
O céu de abril, raleado de nuvens afiladas com seu azul fraco, relembraria outubro em chão e flores, de poeira e ornamentos.
Quiçá ele devesse relembrar setembro se evaporando de agosto, que outubro foi, por fim, um mês vazio de constâncias, foi preparo de um novembro que não teve, ou que teve e passou saudoso de ainda ser outubro. Novembro foi, por fim, enevoado em suas dores e eu me perdi em folhas, como o mês em suas nuvens.
Dezembro, eu já me esquecia de outubro. Janeiro, eu já nem era.
Em fevereiro eu confirmei a idade que eu já tinha e, pelo menos, deu saudade de outros sonhos. Foi choro e precisado, quando de abandonar os planos para ver estas montanhas outra vez. E desde então, não tenho tido casa.
Março foi sem quase ser notado. Parece que me apaixonei às noites, pela chuva amarelada com as luzes. Sei que março teve fim já em abril, que sumiu com seu início.
Agora volta outubro, com as cores que deixei há vários meses.
Laís de Oliveira
quinta-feira, 3 de abril de 2008
A Velha e a Moça (ou Prosa de Sete Fases)
Naquela rua se morreria com facilidade. Tantos carros que passavam sem premeditar a ida pelo asfalto, que a travessia era uma aventura de graves imprevistos.
Atravessei sem pressa, para mais admirar a vida.
Eu tenho pena de gastar algumas boas frases com um texto sem sentido. Mas dou-lhe às letras pra que ele se faça... Que alguém nesse mundo tem de ter coragem de ser tão ridículo. Deixe-o ser, meu texto!
Se o mundo é algo novo, eu já o sei de alguns anos. Mas, ainda, gosto de pensar nas ruas como novas candidatas a cenário e paisagem, gosto de pairar meu sono sobre as luzes da cidade e indagar o que há de novo, o que de certo ainda não vi.
Eu tenho a pretensão de saber tudo e admito. Ainda, sei dizer que sei de tudo do que sei. Do que não sei, de fato sei bem nada, mas insisto em inventar.
Sem me contar, eu faço novos planos entre as tardes sem motivo e crio um novo caminhar em toda cria que invento. Minha memória fraca faz com que eu me esqueça do que era ontem e eu sigo, incoerente e sem linhas concisas, descontínua.
Eu choro algumas vezes entre as luas, ponho a culpa nos hormônios. Da mesma forma eu culpo o horóscopo do meu gosto por bobagens. Assim, saio de grandes discussões, que sou passiva e imprecisa. Faço paródias pra não sofrer plágio.
No mais, tenho preguiça de ser algo.
Por fim eu sou confusa e não tenho sentido. Do nada eu me notei com peitos e sentidos com os quais não sei sentir. A culpa não é minha se não tenho me sentido há uns doze anos.
Aí escrevo tonta, que me aguça os sentidos.
Laís de Oliveira
Atravessei sem pressa, para mais admirar a vida.
Eu tenho pena de gastar algumas boas frases com um texto sem sentido. Mas dou-lhe às letras pra que ele se faça... Que alguém nesse mundo tem de ter coragem de ser tão ridículo. Deixe-o ser, meu texto!
Se o mundo é algo novo, eu já o sei de alguns anos. Mas, ainda, gosto de pensar nas ruas como novas candidatas a cenário e paisagem, gosto de pairar meu sono sobre as luzes da cidade e indagar o que há de novo, o que de certo ainda não vi.
Eu tenho a pretensão de saber tudo e admito. Ainda, sei dizer que sei de tudo do que sei. Do que não sei, de fato sei bem nada, mas insisto em inventar.
Sem me contar, eu faço novos planos entre as tardes sem motivo e crio um novo caminhar em toda cria que invento. Minha memória fraca faz com que eu me esqueça do que era ontem e eu sigo, incoerente e sem linhas concisas, descontínua.
Eu choro algumas vezes entre as luas, ponho a culpa nos hormônios. Da mesma forma eu culpo o horóscopo do meu gosto por bobagens. Assim, saio de grandes discussões, que sou passiva e imprecisa. Faço paródias pra não sofrer plágio.
No mais, tenho preguiça de ser algo.
Por fim eu sou confusa e não tenho sentido. Do nada eu me notei com peitos e sentidos com os quais não sei sentir. A culpa não é minha se não tenho me sentido há uns doze anos.
Aí escrevo tonta, que me aguça os sentidos.
Laís de Oliveira
sábado, 29 de março de 2008
Geriatria
Do nada, ele me disse: Te acho ranzinza.
Virei o rosto devagar, olhei em seus olhos, arqueei levemente minhas grossas e mal feitas sobrancelhas, soltei um "oh" meio mudo e voltei a fazer o que estava fazendo.
Não foi um 'oh' de ironia, desdém, ou surpresa. Foi automático.
Bom, pelo menos serviu pra ele ter certeza.
Então, não satisfeito, ele disse: "Por quê?"
"Coisa de criação", respondi.
Mentira minha. De todo jeito não poderia explicar. Não para ele.
Aliás, não poderia explicar nem a mim mesma. Não sei o que me aconteceu nem quando; não lembro de ter me visto e me sentido diferente, mas sei de uma maneira tão certa e minha que não é como se fosse essência, natural de mim.
Envelheci antes do tempo.
Perdi a conta dos finais de semana que passei em casa, não por falta do que fazer, ou por falta de companhia, mas me faltava ânimo, disposição, energia para sair dessa maldita inércia que assola meus dias.
Poupo-me para o que vale a pena, pensava.
Mas o que afinal vale a pena?
Se a verdade é essa, ando me poupando para o nada.
Ainda sim, hoje não sairei de casa. Pra que? ...
P s: Ontem a menina que mora comigo disse: Você é mesmo caseira hein Bruna?
Respondi: “oh”.
Virei o rosto devagar, olhei em seus olhos, arqueei levemente minhas grossas e mal feitas sobrancelhas, soltei um "oh" meio mudo e voltei a fazer o que estava fazendo.
Não foi um 'oh' de ironia, desdém, ou surpresa. Foi automático.
Bom, pelo menos serviu pra ele ter certeza.
Então, não satisfeito, ele disse: "Por quê?"
"Coisa de criação", respondi.
Mentira minha. De todo jeito não poderia explicar. Não para ele.
Aliás, não poderia explicar nem a mim mesma. Não sei o que me aconteceu nem quando; não lembro de ter me visto e me sentido diferente, mas sei de uma maneira tão certa e minha que não é como se fosse essência, natural de mim.
Envelheci antes do tempo.
Perdi a conta dos finais de semana que passei em casa, não por falta do que fazer, ou por falta de companhia, mas me faltava ânimo, disposição, energia para sair dessa maldita inércia que assola meus dias.
Poupo-me para o que vale a pena, pensava.
Mas o que afinal vale a pena?
Se a verdade é essa, ando me poupando para o nada.
Ainda sim, hoje não sairei de casa. Pra que? ...
P s: Ontem a menina que mora comigo disse: Você é mesmo caseira hein Bruna?
Respondi: “oh”.
quinta-feira, 27 de março de 2008
Alter-psicoidolatria
"...ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a minha alma a lenha desse fogo."
Fernando Pessoa, em "Obra Poética"
Me falta um deus esses dias, nas minhas coisas, nos meus passos. Sinto o oposto da onipresença. Faz tanto que não tenho inspirações sadias ou vontade imensa de fazer qualquer tarefa. A minha escrita se tornou sem graça e as minhas folhas não mais sonham em tornar-se manuscritos de uma grande obra.
Meus dedos têm preguiça e sono, e me contraria o fato de meus olhos estarem cansados de ver e os ouvidos, fartos de ouvir.
Eu já não tenho um deus há muito tempo. E as minhas linhas já se entortaram e eu me sirvo como auto-divindade, no entanto escrevo errado o meu destino, e mal escrito.
Tenho me contentado com clichês e me desculpado ao repeti-los. Ainda, se resta alguma inspiração, eu gasto em defender aos decassílabos que um clichê merece sê-lo e, só por isso, é eterno e válido. No fundo, estou cansada de não fazer novidades.
No fundo, estou no poço e sei viver nele sem pressa.
Ainda, eu desejava ter um deus, que eu rezaria a ele e faria promessas para conseguir me deleitar com esforços e amarguras. Por graça, eu sofreria pelos versos que não tenho escrito. Na triste condição que vivo, não valem esforços que corroam meu prazer lascivo e flácido de virgem. Minha cabeça se cansou de arquitetar poemas e eu definho em imagens vulgares e ríspidas.
Se me fosse dado escolher um deus, eu rezaria a Fernando Pessoa e ofertaria um altar com folhas, tinta e café. Clamaria por um pouco de dor e me faria reconhecer a antiga timidez nas pernas e a pressa nas palavras. Redimiria os males na escrita. Quem sabe eu me esforçasse em suportar o desrespeito e então, ser pura, para assim poder ser natural e, enlouquecida, almejar servir à minha obra para os homens.
Ainda me resta um indício de loucura, se sei que escrever não é normal.
Por súplica, esta noite eu faço prece da Autopsicografia.
Laís de Oliveira
Agradecimentos a C. Melo, pela menção da "escritura".
segunda-feira, 24 de março de 2008
Resquícios
Dividiram-me ao meio
Minhas metades, freneticamente, subdividiram-se.
Regeneraram-se, formando novas células.
Embriões
Falta-lhes um sopro de vida.
Sinto que perdi o elo da minha congruência
Não só falta coesão às minhas palavras, mas também a mim ela carece.
Não há nada
Nem lampejo
E volto aos pedaços de mim, espalhados por entre os vãos dos dissabores, dos sentimentos,
onde a vida passa e transborda, onde a existência não limita o ser.
Há partes que se soltaram,
fuligem que paira junto ao ar
mar de água que evapora
parte do todo, sal do oceano.
Há frações de mim que se perderam no tempo,
nos capítulos da minha vida
na melodia do meu viver.
Há sonhos que se tornaram fumaça cinzenta.
Lembranças me revolvem inteira
Pá que movimenta folhas secas de denso jardim
Sou outono
Folhas titubeantes e secas caem
O vento as espalha pelo mundo afora
Há frações por toda parte
Minha vida é um des (fracionar) incessante
Parte de todo luminoso,
Espelho em partes refletidas.
Encontro resquícios de mim por todos os cantos,
porque tudo o que existe parte de um mesmo grão.
Minhas metades, freneticamente, subdividiram-se.
Regeneraram-se, formando novas células.
Embriões
Falta-lhes um sopro de vida.
Sinto que perdi o elo da minha congruência
Não só falta coesão às minhas palavras, mas também a mim ela carece.
Não há nada
Nem lampejo
E volto aos pedaços de mim, espalhados por entre os vãos dos dissabores, dos sentimentos,
onde a vida passa e transborda, onde a existência não limita o ser.
Há partes que se soltaram,
fuligem que paira junto ao ar
mar de água que evapora
parte do todo, sal do oceano.
Há frações de mim que se perderam no tempo,
nos capítulos da minha vida
na melodia do meu viver.
Há sonhos que se tornaram fumaça cinzenta.
Lembranças me revolvem inteira
Pá que movimenta folhas secas de denso jardim
Sou outono
Folhas titubeantes e secas caem
O vento as espalha pelo mundo afora
Há frações por toda parte
Minha vida é um des (fracionar) incessante
Parte de todo luminoso,
Espelho em partes refletidas.
Encontro resquícios de mim por todos os cantos,
porque tudo o que existe parte de um mesmo grão.
segunda-feira, 17 de março de 2008
Veneno desejado
De tudo que ficou
Só quero o veneno
Que escorre pelas veias sem destino
Que esparrama pelo sangue lúcido
Que contamina...
De você
Quero o seu veneno impuro
Não quero ficar imune
Não desejo a boa medida
Não aspiro à serenidade dos infelizes...
Da vida
Almejo o mais insano dos venenos
Quero o que me faça sentir viva
Quero o que me arraste à cegueira
Quero o hiperbólico...
De mim mesma
Quero buscar meu próprio veneno
Escondido pelos devaneios suprimidos
Escondido pelo inexplorado
Escondido pelos demônios que inundam minha alma...
De todas as coisas
Só quero o veneno que avassala
E que dá sentido ao que não tem nenhum.
Só quero o veneno
Que escorre pelas veias sem destino
Que esparrama pelo sangue lúcido
Que contamina...
De você
Quero o seu veneno impuro
Não quero ficar imune
Não desejo a boa medida
Não aspiro à serenidade dos infelizes...
Da vida
Almejo o mais insano dos venenos
Quero o que me faça sentir viva
Quero o que me arraste à cegueira
Quero o hiperbólico...
De mim mesma
Quero buscar meu próprio veneno
Escondido pelos devaneios suprimidos
Escondido pelo inexplorado
Escondido pelos demônios que inundam minha alma...
De todas as coisas
Só quero o veneno que avassala
E que dá sentido ao que não tem nenhum.
quinta-feira, 13 de março de 2008
Seu Poema sem nome
Naquela noite ela sonhou com ele
e com palavras que não tinha dito
viu ele amarelar-se em postes
Ele correr alucinado
veio vê-la
E veio completar frases não feitas
veio lhe responder
bocas de álcool
e sono
veio declarar-se insone
e dela
que naquela noite o teve.
Naquela noite ela sonhou estrelas
que se partiam como as palavras
Se repetiam
rimas alternadas
se escreviam como ela o fazia em segredo
Naquela noite ela teve um filho
com ele
que as estrelas nomearam
sem nome
e o filho esperneava postes e chuva
sob poucas estrelas
que ele rimava com as pernas.
Naquela noite ela pariu um filho
só dele
e terminou por concebê-lo.
Laís de Oliveira
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